<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664</id><updated>2012-02-16T09:41:47.184-08:00</updated><title type='text'>Palavras do mar, do sol e do vento</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>14</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-8845054898778564053</id><published>2008-11-25T15:08:00.000-08:00</published><updated>2008-11-25T15:10:26.125-08:00</updated><title type='text'>Travessa da saudade</title><content type='html'>Percorro as ruas de ninguém&lt;br /&gt;Avenidas que um dia disseste serem tuas&lt;br /&gt;E que num momentâneo arrebatamento me ofereceste&lt;br /&gt;Delírio de quem nada tem e se julga dono do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corremos de mãos dadas pela calçada que era agora nossa&lt;br /&gt;Quando éramos tão pouco senhores de nós&lt;br /&gt;Pobres loucos e apaixonados, roubámos à vida todo o amor&lt;br /&gt;Porque de nada mais sabíamos viver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parámos na praça dos perdidos&lt;br /&gt;No largo que é o teu universo&lt;br /&gt;Céu de cem estrelas bruxuleantes, arco-irís de mil cores garridas&lt;br /&gt;Cenário resplandecente que disseste ter pintado para mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste-me tudo o que tinhas&lt;br /&gt;Porque te pedi o nada que era teu&lt;br /&gt;Em troca dei-te o vazio da distância&lt;br /&gt;Porque o teu mundo encantado não era o meu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje, quando vagueio sem ti em busca minha rua&lt;br /&gt;Olha-me um velho puído e desgrenhado&lt;br /&gt;E diz-me com a sabedoria dos insanos que tudo viram&lt;br /&gt;Que as outrora avenidas nossas se chamam agora travessas da saudade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-8845054898778564053?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/8845054898778564053/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=8845054898778564053' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/8845054898778564053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/8845054898778564053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/11/travessa-da-saudade.html' title='Travessa da saudade'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-7063206972883201987</id><published>2008-06-28T11:26:00.000-07:00</published><updated>2008-06-28T11:47:20.302-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Escapas por entre os dedos&lt;br /&gt;E esvoaças ao sabor do vento&lt;br /&gt;Corro atrás de ti&lt;br /&gt;Criança tola cheia de sonhos&lt;br /&gt;Eternamente em busca do nada&lt;br /&gt;Doce fruto da imaginação que sacia o coração&lt;br /&gt;Ainda assim corro, corro sempre&lt;br /&gt;Infantil teimosia de dizer que o vazio cabe na palma da mão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-7063206972883201987?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/7063206972883201987/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=7063206972883201987' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/7063206972883201987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/7063206972883201987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/06/escapas-por-entre-os-dedos-e-esvoaas-ao.html' title=''/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-8402137867152109203</id><published>2008-06-24T15:43:00.001-07:00</published><updated>2008-06-24T15:46:12.091-07:00</updated><title type='text'>Retratos de Lisboa - Parte II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_n_PNgK_AHaY/SGF4-EAh3OI/AAAAAAAAAEA/64YpDweX1lo/s1600-h/HPIM0165.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215582851094928610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_n_PNgK_AHaY/SGF4-EAh3OI/AAAAAAAAAEA/64YpDweX1lo/s320/HPIM0165.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Parece um boneco de neve. Para aqueles com menos imaginação talvez pareça simplesmente um padeiro coberto de farinha. A mim, parece-me um boneco de neve não só pela sua pele revestida de tintura branca mas também pela sua imobilidade, pelo seu ar frágil, pelo seu semblante delicado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tem o olhar preso no chão. Não o fixa nas pessoas que passam. Não é o seu olhar que tem que despertar a atenção, é o todo da personagem que assume de manhã e da qual só se despede depois do sol se pôr sobre o rio que o observa de longe. Durante aquelas horas é padeiro para uns, boneco de neve para outros, simplesmente palhaço para a maioria. Ninguém percebe realmente o que representa ali, parado no meio da rua, quase imóvel durante longas horas. Paro para pensar na simbologia da personagem que encarna. Continuo a ver o boneco de neve a que só falta a cenoura no lugar de nariz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À sua frente está um vaso envolto em papel com uma pequena abertura no topo. A tarde já vai avançada mas pela altura do ano e consequente falta de turistas nas ruas de Lisboa, arriscaria a dizer que está praticamente vazio. “Estamos em crise” é a justificação. “Que vão trabalhar, tem muito bom corpo para isso” resmungam acusadores. Ninguém vê, ninguém percebe que é um artista. São poucos os que param para reparar na delicadeza dos seus gestos, na humildade do seu olhar ou na infantilidade do seu genuíno sorriso quando alguém um brinda com uma moeda mesmo que pouco valiosa. Ele é apenas um qualquer ser na rua que já devia ter idade para ter juízo e não pensar que o Carnaval é todos os dias. Ninguém tem tempo para parar e ver com olhos de ver. São todos tão crescidos, todos tão adultos e tão senhores do seu nariz que não são capazes de admitir que vêm um padeiro, um boneco de neve ou um anjo. A vergonha é do artista de rua que pousa no meio da rua mascarado, nunca de quem vê nele outra coisa que não a realidade. Todos encarceraram há anos a criança que habita dentro deles e recusam-se a ver com os olhos da imaginação que confundem com demência. Claro que não é padeiro nem boneco de neve, responderiam se alguém lhes perguntasse. É um palhaço. E no entanto, vêem-no tão bem quanto eu. Ainda sim é um palhaço porque a vergonha de admitirem que são crianças é maior que a vergonha de admitir que são cegos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-8402137867152109203?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/8402137867152109203/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=8402137867152109203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/8402137867152109203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/8402137867152109203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/06/retratos-de-lisboa-parte-ii.html' title='Retratos de Lisboa - Parte II'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_n_PNgK_AHaY/SGF4-EAh3OI/AAAAAAAAAEA/64YpDweX1lo/s72-c/HPIM0165.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-3229795379696418092</id><published>2008-06-24T14:53:00.000-07:00</published><updated>2008-06-24T15:00:45.934-07:00</updated><title type='text'>Retratos de Lisboa - Parte I</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215570987382747026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_n_PNgK_AHaY/SGFuLgPIL5I/AAAAAAAAAD4/aZHM4gAdt-M/s320/069%2B.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os amenos raios de sol batiam na calçada aquecen&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_n_PNgK_AHaY/SGFttPyeTCI/AAAAAAAAADw/3ahPHoGUANU/s1600-h/069%2B.jpg"&gt;&lt;/a&gt;do-a mas não aqueciam o corpo que nela jazia. Aproximei-me mas ele não sentiu a minha presença como provavelmente também não sentiu o flash da minha câmara fotográfica que incidiu sobre ele. Era indiferente aos que passavam por ele assim como os que passavam por ele lhe eram indiferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua cabeça estava coberta com um saco de plástico preto, talvez para evitar a luz do sol. Pelas poucas partes do corpo se viam, mãos e parte das pernas, conclui que não era português. Talvez marroquino, quem sabe argelino. Nunca o virei a saber. As suas roupas eram andrajosas, puídas e estavam cobertas de lama e pó. Dei comigo a pensar que era inimaginável alguém viver assim mas a verdade é que tal era mesmo possível porque a dura realidade estava diante dos meus olhos. Que infortúnios teria passado para acabar assim nas ruas de Lisboa? Que destino seria o daquele homem que esquecia as normas impostas pela sociedade e o seu orgulho e se deitava na dura calçada portuguesa, ansiando por um momento de descanso que não lhe seria concedido?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aproximei-me ainda mais, ampliei o zoom da máquina fotográfica e tirei outra fotografia. Senti-me mal por me apropriar assim da sua tragédia para obter uma fotografia. Sentia que os olhos das pessoas que circulavam à minha volta pousavam em mim como recriminação. Mas eu recriminava-os a eles pela resignação com que ignoravam a situação. É sempre mais fácil fugir, ignorar. Eu própria me sentia tentada a fugir devido à nauseabunda e enojante mistura de cheiros a álcool e a podre. Foi o que fiz. Não havia nada que pudesse ser feito e estivesse ao meu alcance. Talvez seja essa a razão pela qual as pessoas fogem dos mendigos: para evitarem o constrangedor sentimento de impotência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais tarde, voltei a passar por ali. Se antes dormia ou permanecia apenas inanimado, agora tentava erguer-se a custo, cambaleando devido aos efeitos inebriantes do álcool. Ninguém reparava. E em mim crescia a indignação. Por detrás do mendigo erguia-se majestosa estátua de D. José I. Era o Terreiro do Paço, era o centro turístico de Lisboa. Alemães, ingleses e japoneses fotografavam a estátua e o edifício. Ninguém parecia notar que algo ali destoava. Todos evitavam reparar naquilo que para mim era mais que evidente. No meio de toda a imponência da Baixa Pombalina, exibia-se a realidade de uma cidade que quer ser orgulhosa de si própria, mostrando apenas o que de agradável tem para mostrar. Mas Lisboa é forçada a mostrar tudo o que é, seja aprazível aos sentidos ou não. E Lisboa é tudo isto. Ostentação e miséria, deleite e repulsa para o olhar. De todas as outras fotografias que tinha tirado à cidade, nenhuma deles era realista. No meio de quase uma centena de retratos, apenas aqueles dois mostravam, tão crua e dolorosamente quanto era possível, a verdadeira face de Lisboa.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-3229795379696418092?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/3229795379696418092/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=3229795379696418092' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/3229795379696418092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/3229795379696418092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/06/retratos-de-lisboa-parte-i.html' title='Retratos de Lisboa - Parte I'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_n_PNgK_AHaY/SGFuLgPIL5I/AAAAAAAAAD4/aZHM4gAdt-M/s72-c/069%2B.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-7085378024466834448</id><published>2008-05-24T10:50:00.001-07:00</published><updated>2008-05-24T11:22:38.306-07:00</updated><title type='text'>Meia-noite</title><content type='html'>Vens à hora certa do anoitecer&lt;br /&gt;No instante que marca o passar do tempo&lt;br /&gt;Quando num segundo voam dias, meses e anos&lt;br /&gt;Para nos dizer que o nosso corpo entorpece&lt;br /&gt;Mas que a alma é ainda jovem e inconsciente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vens como de toda as outras vezes&lt;br /&gt;Como nas lembranças que carrego comigo&lt;br /&gt;És filho do vento do norte&lt;br /&gt;Criatura sem Deus ou senhor&lt;br /&gt;Força da Natureza que me arranca de mim&lt;br /&gt;Para me tornar livre como nunca fui&lt;br /&gt;E me saber no fundo igual a ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não culpemos os outros nem as sensações deturpadas&lt;br /&gt;Somos nós os réus de um crime que não cometemos&lt;br /&gt;Quando nos refugiamos na solidão de nos termos&lt;br /&gt;E nos escondemos na noctívaga escuridão&lt;br /&gt;Que partilha connosco este amor que não é nosso&lt;br /&gt;Mas não julga este sentimento que não tem castigo ou punição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincas com as palavras&lt;br /&gt;Roubas vocábulos ao dicionário&lt;br /&gt;Torna-los teus e mudas-lhe o sentido&lt;br /&gt;Com ironias, humor e sarcasmos que não entendo&lt;br /&gt;Não acredito em ti no final&lt;br /&gt;Mas sei a dor quando me largas a mão&lt;br /&gt;E mudos teus olhos dizem:&lt;br /&gt;É meia-noite, ao amanhecer nada será igual&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOTA: Poema escrito durante o ensaio da ForTuna. Enquanto o Coimbra tem devaneios musicais, eu tenho devaneios poéticos :P&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-7085378024466834448?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/7085378024466834448/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=7085378024466834448' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/7085378024466834448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/7085378024466834448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/05/meia-noite.html' title='Meia-noite'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-5748414786256915618</id><published>2008-03-05T15:13:00.000-08:00</published><updated>2008-03-05T15:16:02.485-08:00</updated><title type='text'>Inacabado</title><content type='html'>Queria voar mais alto nesse teu céu azul&lt;br /&gt;Tão alto, tão azul, tão teu&lt;br /&gt;Exímia perfeição do teu olhar cristalino&lt;br /&gt;Firmamento de infinita ternura que busco no meu voo&lt;br /&gt;Nesta vertiginosa viagem que é descobrir-te em mim quando não estás&lt;br /&gt;Neste devaneio que é querer-te quando te vais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anseio por notícias tuas&lt;br /&gt;Palavras doces na voz serena&lt;br /&gt;Murmúrios inaudíveis que o vento não traz&lt;br /&gt;Quando dança à minha volta, inconstante como o teu coração&lt;br /&gt;Rebelde como a tua alma&lt;br /&gt;Apagando memórias e roubando emoções&lt;br /&gt;Deixando apenas o silêncio que me dás&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo abrir as portas desse teu mundo alheio a mim&lt;br /&gt;Lugar de profundos mistérios e fascínios sem fim&lt;br /&gt;Inesperado porto de abrigo onde me escondo&lt;br /&gt;Temente do exterior a que não mais pertenço&lt;br /&gt;Porque um dia me cruzei contigo&lt;br /&gt;E percebi que o meu lar eras tu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-5748414786256915618?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/5748414786256915618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=5748414786256915618' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/5748414786256915618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/5748414786256915618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/03/queria-voar-mais-alto-nesse-teu-cu-azul.html' title='Inacabado'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-8723208838669644900</id><published>2008-02-03T14:07:00.000-08:00</published><updated>2008-02-03T14:09:27.749-08:00</updated><title type='text'>A voz do coração - Parte II</title><content type='html'>Abri a boca para retribuir mas nesse momento os olhos dele, aqueles olhos brilhantes que sempre haviam iluminado a minha existência, começaram a fechar-se lentamente e o aperto sobre as minhas mãos afrouxou. Aflita, levantei-me e toquei a campainha enquanto repetia o nome dele incessantemente em silêncio. Vários médicos entraram pela mesma porta por onde eu tinha entrado e um deles dirigiu-se a mim. Recuei amedrontada, olhando sempre para o corpo inconsciente de Miguel até que o médico me agarrou e me tentou arrastar dali para fora. Eu gritava e esbracejava tentando ficar mais um pouco para saber o que se estava a passar, tentando resistir àqueles poderosos braços que me levavam pelo corredor que segundos antes percorrera sozinha. Lutei até não poder mais e quando dei por mim estava de novo cá fora, perdida, olhando em volta à espera que alguém me acordasse do meu sono e me dissesse que tudo não passara de um sonho mau. Como era possível que Miguel estivesse a falar comigo e no instante seguinte estivesse inconsciente? Que sentido fazia aquilo? O que é que de tão grave se passava para não me terem deixado assistir ao que se passara depois? Eram tantas perguntas, tantas incertezas, tantos medos… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diogo aproximou-se de mim e abraçou-me. Pela primeira vez desde que ali chegara não consegui controlar as lágrimas, e chorei. Chorei durante longos minutos enquanto Diogo me murmurava palavras doces ao ouvido como se eu fosse uma criança. Chorei, e pela primeira vez também começou a crescer dentro de mim uma raiva desmedida. Tive vontade de o esbofetear mas não o fiz e permaneci ali, presa à pessoa que matara o meu melhor amigo, num abraço que era um misto de conforto e repugnância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico apareceu alguns minutos mais tarde e eu aproveitei a deixa para finalmente me libertar daquele aperto sufocante e que me dilacerava o coração. Recompus-me e encontrei ainda forças para sorrir numa última réstia de esperança de que Miguel estivesse vivo. O médico olhou-nos pesaroso e, perante o meu falso sorriso, acenou negativamente. Senti que o mundo ia desabar sobre mim. Aquela tinha sido a última vez que tinha visto o seu olhar negro e profundo como o mar, aquela tinha sido a última vez que tinha visto o seu sorriso e não tivera sequer tempo para lhe retribuir as suas últimas palavras. A estrela que me guiava no meu caminho tinha-se apagado para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu lado, Diogo sucumbia também à dura realidade e chorava sentado no chão. Com a ajuda do médico, consegui levá-lo até ao meu carro. Durante o caminho para casa, o silêncio era apenas quebrado pelas constantes fungadelas mas dentro de mim travava-se um ensurdecedora luta sem tréguas. Lutava entre parar e abraçar Diogo que seguia inanimado ao meu lado como se também ele estivesse morto, ou dizer-lhe tudo o que me ia na alma, que ele fora o culpado, que ele acabara com a vida do nosso melhor amigo. Os meus pensamentos giravam num furioso e enorme turbilhão até que um deles se sobrepôs a todos os outros: “Joana, promete-me que não ficas zangada... Ele não teve culpa.” Sem aparente motivo para tal, travei subitamente o carro e olhei Diogo nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não estou zangada contigo. Eu sei que tu não querias que nada disto tivesse acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diogo fitou-me tão surpreendido com a minha atitude repentina quanto eu. Tinha dito aquilo num impulso, sem pensar muito bem nas implicações do que estava a fazer. A partir daquele momento não o poderia voltar a culpar ou correria o risco de estar a ser incoerente mas aquelas palavras deram-me o alívio que era possível obter naquelas circunstâncias. Alimentar ódios apenas teria servido para aumentar a dor porque num único impiedoso golpe não estaria a perder um mas dois amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O funeral foi dois dias depois. Não me preocupei em procurar roupa escura pois sabia que Miguel abominava o luto. Comprei uma rosa branca à porta do cemitério e entrei tentando lutar contra as lágrimas que teimavam em brotar dos meus olhos vermelhos e inchados. Permaneci sempre abraçada a Diogo até ao final. Agora só nos tínhamos um ao outro, éramos apenas dois a seguir aquele caminho que até então fora percorrido a três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi as pessoas chegarem e partirem sempre com o olhar preso no chão até ficarmos só os dois. Pedi a Diogo que me deixasse sozinha e vi-o afastar-se evitando olhar para mim. A alegria que habitualmente emanava da sua voz desaparecera e o seu bom humor apenas lhe permitia fingir que encarava a situação com aparente facilidade mas eu sabia que, por dentro, uma parte dela havia morrido com Miguel e que a culpa era um fardo demasiado pesado que teria que suportar sozinho até ao fim dos seus dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixei-me, pousei a rosa em cima da campa e, certa de que ele me ouviria, murmurei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também te adoro, Miguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei mais uma vez para uma das muitas fotografias dele que ali estavam e virei costas sem pensar duas vezes. Aproximei-me de Diogo e saímos dali juntos. Agora éramos só dois mas eu sabia que Miguel seguia sempre connosco. Ainda conseguia sentir o toque suave da sua mão, ainda conseguia ouvir as suas contagiantes gargalhadas mas acima de tudo, ainda conseguia ouvir a sua voz ressoando na minha cabeça e dizendo: “Ele não teve culpa.” Ele tinha perdoado Diogo, quem era eu para não o fazer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-8723208838669644900?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/8723208838669644900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=8723208838669644900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/8723208838669644900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/8723208838669644900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/02/voz-do-corao-parte-ii.html' title='A voz do coração - Parte II'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-6104424501981553867</id><published>2008-02-01T05:43:00.000-08:00</published><updated>2008-02-01T05:47:07.223-08:00</updated><title type='text'>A voz do coração - Parte I</title><content type='html'>Aqui sentada em frente à minha secretária, tento lembrar-me dos acontecimentos de há dois meses atrás para os transcrever para o papel. São dolorosos, cruéis demais para permanecerem na mente, noite após noite, dia após dia, sem um instante de sossego em que possa acreditar que a vida ainda tem encanto e que ainda merece ser vivida. Nada voltará a ser como dantes, se é que ainda sou capaz de recordar o que era o antes. Para dizer a verdade, não sei se tudo aquilo foi real ou se não passou de um mero pesadelo mas o que vou descrever nestas folhas é apenas o que eu recordo ou julgo recordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um domingo e estava sentada em cima da minha cama a tentar escrever algo no meu diário. O sol brilhava lá fora e nem a ventoinha conseguia bater o calor insuportável que se fazia sentir. Liguei o rádio e mais uma vez ouvi as notícias acerca dos cortes de água que havia por todo o país. Peguei de novo na caneta e coloquei-a entre os lábios, escolhendo mentalmente as palavras mas o meu raciocínio foi interrompido pelo toque do meu telemóvel. Sorri para o vazio ao ver o nome que piscava no ecrã iluminado por uma luz verde e atendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá Miguel! - exclamei alegremente esperando ouvir a voz dele do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreendentemente não chegou nenhum som até mim – Miguel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei sem ouvir nada e comecei a ficar irritada por ele estar a gozar comigo. Ponderei desligar-lhe o telefone na cara e estava prestes a premir o botão que mo permitia fazê-lo quando uma voz sumida se pronunciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Joana? É... é o Diogo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, és tu! – disse com uma ponta de decepção na voz - Pensei que era o Miguel. Que voz é essa? O que é que se passa? - perguntei estranhando não ouvir o seu tom sempre alegre e divertido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... eu... – hesitou ele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim... tu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu e o Miguel tivemos um acidente e estamos no hospital – respondeu de um só fôlego&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sustive a respiração durante alguns segundos tentando assimilar o que ele tinha dito. As palavras ressoavam na minha cabeça, movendo-se a uma velocidade vertiginosa antes de formarem de novo a frase que ele proferira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu ia a conduzir e... e... batemos noutro carro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desliguei o telemóvel naquele preciso momento mesmo sem o deixar acabar de falar. Não queria ouvir mais nada, não precisava. O meu coração batia desenfreadamente fazendo o meu sangue correr mais rápido que nunca nas minhas veias. O meu mundo parecia dar sucessivas cambalhotas e um zunido irritante permanecia nos meus ouvidos como se quisesse que eu ficasse completamente insana.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí de casa e conduzi descontroladamente até ao hospital. A ventoinha permaneceu ligada, arrefecendo o vazio que ficara naquele quarto, o caderno ficou aberto em cima da cama, revelando os meus segredos a quem os quisesse ler, a caneta sem tampa, pronta a ser usada para quem quisesse escrever o meu destino. Se o pudesse ter escolhido, teria pedido a quem o escreveu que lhe desse um desfecho diferente mas o destino é indiferente às súplicas de simples humanos, comuns mortais sempre insatisfeitos com a vida e não me teria certamente dado ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei ao hospital, Diogo esperava-me à porta. Tinha pontos na testa e o pulso enfaixado com uma ligadura. Os seus olhos azuis fitavam-me ansiosamente e respirou fundo antes de falar. Não me dirigiu qualquer cumprimento. No se habitual sentido prático que mantinha em todas as situações, foi directo ao assunto, sem metáforas ou eufemismos que pudessem atenuar o meu nervosismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Miguel quer falar contigo. Ele está lá dentro – disse inclinando a cabeça para o interior do hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeci-lhe com um quase imperceptível aceno de cabeça, dirigi-me à recepção e perguntei se podia entrar. A empregada torceu o nariz ao meu pedido mas acabou por ceder perante a minha insistência. Transpus as portas de madeira e caminhei lentamente pelo corredor quase deserto, sentindo as minhas pernas fraquejarem e ouvindo o som dos meus passos nas lajes brancas e frias que libertavam um forte cheiro a lixívia. Virei à esquerda e entrei na sala que me tinham indicado. Procurei Miguel por entre as pessoas que ali jaziam deitadas nas macas e vi-o imediatamente. Não havia forma possível de não reconhecer aqueles olhos negros que estavam presentes nas minhas memórias mais antigas e em todos os acontecimentos importantes da minha vida. Era ele que estava ao meu lado nos momentos de glória para me congratular, era ele que me limpava as lágrimas em dias menos felizes. Se havia alguém a quem eu devia o que era naquele dia, era a ele e por isso, nada me deixava mais angustiada do que vê-lo numa cama de hospital, um espectro fantasmagórico daquilo que sempre fora. Ele sorriu-me e eu dei comigo a sorrir-lhe também timidamente. “Não há motivo para preocupações” pensei para mim própria “Ele está ali, a sorrir para mim. Está tudo bem”. Trémula, aproximei-me dele e beijei-o na testa. Ele semicerrou os olhos como sempre fazia e murmurou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda bem que vieste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me no banco ao lado da cama e observei-o sem conseguir dizer nada. Ele pareceu não notar o meu nervosismo e estendendo a mão pediu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dá-me a tua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pousei a minha carteira no chão e, relutantemente, agarrei a mão dele enquanto ouvia as batidas descompassadas do meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Joana, quero que me prometas uma coisa. Promete-me que não ficas zangada, triste ou decepcionada com o Diogo. Ele não teve culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas porque é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Promete - insistiu ele e senti que a forte mão dele exercia uma enorme pressão sobre a minha que tremia descontroladamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está bem, eu prometo. Mas porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque ele não teve culpa - repetiu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei lentamente a minha outra mão pela face dele, limpando-lhe as lágrimas, lutando para não chorar também e tentando perceber porque razão me estava ele a pedir aquilo. Ele agarrou-me ambas as mãos e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Joana, eu adoro-te.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-6104424501981553867?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/6104424501981553867/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=6104424501981553867' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/6104424501981553867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/6104424501981553867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/02/voz-do-corao-parte-i.html' title='A voz do coração - Parte I'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-7124947968699273317</id><published>2008-01-29T12:52:00.000-08:00</published><updated>2008-01-29T12:53:05.471-08:00</updated><title type='text'>O sonho</title><content type='html'>O desejo é uma utopia de quem sonha&lt;br /&gt;A necessidade é a realidade de quem vive&lt;br /&gt;Quem vive necessita de algo real&lt;br /&gt;Mas quem sonha tem como desejo uma utopia&lt;br /&gt;E eu, lá bem no âmago do meu ser&lt;br /&gt;Sou antagonista das leis da razão&lt;br /&gt;Porque vivo sonhando que o meu desejo se torne realidade&lt;br /&gt;E necessito de uma utopia para viver&lt;br /&gt;Mas no dia em que a utopia se desvaneça em fumo&lt;br /&gt;No preciso segundo em que o sonho se confunda com a realidade&lt;br /&gt;Vou deixar de sofrer sozinha&lt;br /&gt;Porque tu estarás comigo para viver a realidade&lt;br /&gt;E o sonho não passará de um desejo utópico&lt;br /&gt;Que eu necessitei um dia&lt;br /&gt;Mas que não necessitarei nunca mais&lt;br /&gt;Pois o sonho é apenas a realidade de quem vive sozinho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-7124947968699273317?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/7124947968699273317/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=7124947968699273317' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/7124947968699273317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/7124947968699273317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/01/o-sonho.html' title='O sonho'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-4921457359259319823</id><published>2008-01-27T07:00:00.000-08:00</published><updated>2008-01-27T07:01:17.971-08:00</updated><title type='text'>Pedido</title><content type='html'>Voa&lt;br /&gt;Viaja por entre a imensidão de quilómetros que nos separam&lt;br /&gt;Rasga o céu azul na companhia do vento&lt;br /&gt;Derruba castelos e muralhas de areia numa guerra sem fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toca-me&lt;br /&gt;Desperta os meus sentidos dormentes&lt;br /&gt;Deixa o tempo passar célere por nós&lt;br /&gt;Faz-me sentir que não existe ontem nem amanhã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha-me&lt;br /&gt;Queima cada centímetro da minha pele com o teu olhar ardente&lt;br /&gt;Mata-me com o calor dos teus olhos negros de azeviche&lt;br /&gt;Liberta-me do sufoco que me destrói alma e coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraça-me&lt;br /&gt;Aperta-me nos teus braços fortes e protectores&lt;br /&gt;Deixa-me sentir o toque do teu corpo salgado&lt;br /&gt;Deixa-me chorar até não ter mais lágrimas para o fazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz&lt;br /&gt;Diz-me que me adoras&lt;br /&gt;Nem que seja apenas por uma vez&lt;br /&gt;Nem que seja apenas num murmúrio inaudível&lt;br /&gt;Nem que seja apenas uma mentira tua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-4921457359259319823?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/4921457359259319823/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=4921457359259319823' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/4921457359259319823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/4921457359259319823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/01/pedido.html' title='Pedido'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-4409149229102312504</id><published>2008-01-27T06:55:00.000-08:00</published><updated>2008-01-27T06:57:52.362-08:00</updated><title type='text'>Se tua doçura fosse minha loucura</title><content type='html'>Se tua doçura fosse minha loucura&lt;br /&gt;Saltaria barreiras invisíveis&lt;br /&gt;E gritaria ao mundo que morri&lt;br /&gt;Só para te saber enfim nos meus braços&lt;br /&gt;Somente nos meus e de mais ninguém&lt;br /&gt;Num súbito rasgo de cólera e paixão&lt;br /&gt;Num momento de lascívia contida porque os outros olham&lt;br /&gt;Os outros! Porque não se vão os outros embora e nos deixam sós?&lt;br /&gt;A mim, a ti, ao surdo bater dos nossos corações quando ficamos assim&lt;br /&gt;Em silêncio, olhos nos olhos, alma na alma&lt;br /&gt;Para nos sentirmos loucos uma vez mais&lt;br /&gt;E saber que o amanhã não mais importa&lt;br /&gt;E que o passado não é que mais poeira que se desfaz nas nossas mãos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tua doçura fosse minha loucura&lt;br /&gt;Mergulharia nesse teu mar de insondáveis mistérios&lt;br /&gt;Tão salgado, tão profundo, tão frio&lt;br /&gt;Quereria ir mais além na minha incessante busca do teu eu&lt;br /&gt;Que é meu por instantes e logo se desvanece no nevoeiro do horizonte&lt;br /&gt;Sempre, toda e cada vez que julgo que não mais vais partir&lt;br /&gt;E que o presente é para todo o sempre&lt;br /&gt;E a eternidade a fugacidade de cada momento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tua doçura fosse minha loucura&lt;br /&gt;Misto de bem-aventurança e maldição, malfadada condição&lt;br /&gt;Ah, se assim fosse…&lt;br /&gt;Se assim fosse não existiria cura para esta enfermidade&lt;br /&gt;E eu quereria mais, sempre mais&lt;br /&gt;Ímpeto insaciável dos teus lábios de mel contra os meus&lt;br /&gt;Sufocando lentamente até matar o irreprimível desejo&lt;br /&gt;Procurando novos caminhos para tão arrebatador sentimento&lt;br /&gt;Que aquece, que dilacera, que aconchega, que destrói&lt;br /&gt;Quando a tua presença não é mais que uma lembrança&lt;br /&gt;Vaga ideia de que já fui tua e que não mais sei o que é sê-lo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tua doçura fosse minha loucura&lt;br /&gt;Torrão de açúcar que derrete lentamente na boca&lt;br /&gt;Fofo algodão doce que comemos a meias&lt;br /&gt;Chocolate quente que amolece corações&lt;br /&gt;Talvez fosse louca o suficiente para o admitir&lt;br /&gt;Talvez insensata ao ponto de te dizer que não te quero ver partir&lt;br /&gt;Uma vez mais, como de todas as outras&lt;br /&gt;Ficando para trás, sozinha&lt;br /&gt;Sentindo o adocicado saber do teu beijo de despedida&lt;br /&gt;E sabendo que a tua doçura é tão grande quanto a minha loucura&lt;br /&gt;Mas que tamanho desvario não chega para dizer que te amo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-4409149229102312504?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/4409149229102312504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=4409149229102312504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/4409149229102312504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/4409149229102312504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/01/se-tua-doura-fosse-minha-loucura.html' title='Se tua doçura fosse minha loucura'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-529916594946647093</id><published>2008-01-18T13:58:00.000-08:00</published><updated>2008-02-11T09:08:05.503-08:00</updated><title type='text'>Castelos na areia</title><content type='html'>Agora que cheguei ao final do meu romance, entitulado "Castelos na areia" decidi publicar aqui os primeiros parágrafos para os amigos mais ansiosos. Para lerem o resto, vão ter que esperar pelas correcções ;)&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Castelos na areia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165770384673275554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_n_PNgK_AHaY/R7CAy6Gu_qI/AAAAAAAAACs/Heq-vyNgRrM/s320/Capa2.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Ana sobrevoava o Atlântico observando o mar sob os seus pés através da pequena janela quadrada. Há seis meses percorrera aquele mesmo caminho em sentido inverso, em direcção ao país onde a Europa, aventureira e destemida, mergulha no oceano, em direcção a uma terra de desconhecidos hábitos que em breve adoptaria como seus. Há seis meses cruzara esse mesmo oceano em busca de um sonho cuja concretização julgara impossível mas acabara por se ver envolvida em muito mais que uma simples contenda por uma obcecante utopia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana mirou atentamente o seu corpo e mal se reconheceu. O tom da sua pele era mais escuro, o seu cabelo estava mais louro e comprido que nunca e, apesar de não conseguir ver, sabia que as sardas que sempre possuíra eram agora mais evidentes. No entanto, a maior mudança não era física. Para alguém que sempre fora crente nas aparentemente inabaláveis convicções que lhe haviam sido transmitidas, fora doloroso em escassos meses ver que uma viagem bastava para deitar por terra tudo o que durante a sua vida tomara por certo. Todos os planos que idealizara e todos os ideais que regravam a sua vida no passado haviam sido desacreditados e postos em causa à mesma velocidade que a realidade a atingira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hospedeira vestida interrompeu os seus pensamentos para lhe entregar o almoço frugal e sensaborão. Vestia o elegante uniforme comum a todas as hospedeiras da companhia e que incluía camisa branca, saia azul-escura acima do joelho e casaco cintado no mesmo tom. Ao pescoço trazia um lenço de riscas vermelhas e amarelas, finamente debruado com um fio dourado e o conjunto terminava com sapatos negros de vertiginosos saltos altos. Com um sorriso prestável, agarrou o tabuleiro de plástico com ambas as mãos e estendeu-o a Ana que o aceitou agradecendo simultaneamente com um ligeiro aceno de cabeça. Sem apetite, olhou para o conteúdo do tabuleiro com um ar algo enjoado e pousou-o no banco ao seu lado que não fora ocupado. Recostou-se no banco, fechou os olhos e sorriu timidamente ao recordar-se das palavras que Mestre António lhe dissera um dia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu nunca andei num bicho desses – afirmara então como se fosse o maior orgulho da sua vida – Mas olha que se algum dia tivesse que ir até aos Estados Unidos, não queria ir de avião. Ia de barco. Vocês são uns doidos. Que jeito tem pagarem para se enfiarem dentro de uma coisa fechada que ainda por cima pode cair?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na altura, Ana rira-se e lembrara-o que se tivesse vindo de barco teria demorado meses a chegar, mas Mestre António mostrara-se irredutível. Agora, aquela recordação trazia-lhe uma dor imensa, uma saudade insuportável das conversas com aquele velho sábio e teimoso que afirmava que, se fosse possível, dava a volta ao mundo no seu pequeno barco de xávega. Espreitou de novo pela janela e mais uma vez viu apenas nuvens e mar que aos seus olhos surgiam turvos devido às lágrimas que lhe rolavam pela face abaixo sem que ela se preocupasse em as deter. Faltavam certamente ainda algumas longas horas até pisar de novo solo americano e Ana começava a impacientar-se. Há seis meses a viagem não lhe parecera tão demorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem praticamente tocar na comida, Ana esperou desassossegada pelo anúncio da aterragem. Nunca o tempo demorara tanto a passar, nunca o Atlântico parecera tão largo. Quando finalmente a ordem para se manterem sentados foi levantada, Ana desapertou o cinto apressadamente e dirigiu-se de imediato à porta. Aguardou que esta se abrisse e foi a primeira a sair. Ao colocar o pé de novo no chão foi assaltada pela sensação de que, independentemente do que lhe estivesse ainda reservado na vida, nada seria igual ao que fora antes daquela viagem. Era irónico, pensou. Há seis meses partira levando consigo uma bagagem cheia de sonhos e esperanças e agora chegava apenas com dor e sofrimento."&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-529916594946647093?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/529916594946647093/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=529916594946647093' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/529916594946647093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/529916594946647093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/01/castelos-na-areia_18.html' title='Castelos na areia'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_n_PNgK_AHaY/R7CAy6Gu_qI/AAAAAAAAACs/Heq-vyNgRrM/s72-c/Capa2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-9202157820271555018</id><published>2008-01-10T01:47:00.001-08:00</published><updated>2008-01-10T01:47:20.022-08:00</updated><title type='text'>Os incompreendidos</title><content type='html'>Os poetas. Diz Pessoa que são fingidores. Eu, por mim, digo que são pessoas da pior espécie. Românticos, apaixonados, sensíveis, metamorfoseiam o que se sentem nos sentimentos pretendidos, seduzindo, encantando, cativando com a forma como moldam a palavra segundo as suas intenções. Sim, são fingidores, são inconstantes. O seu coração é uma folha seca no Outono que se solta da árvore e desce, oscilando e rodopiando no ar, levada pelo vento sibilante, até cair no chão, quebrada, derrotada e esgotada da longa e penosa queda. Ficam feridos, fracos, moribundos mas basta regressar a brisa para se lançarem de novo numa arriscada contenda pelo amor. Porque os poetas não sabem viver sem amor. Se não o têm, procuram-no. Se não o encontram, inventam-no nos mais belos e elaborados versos que conseguem criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, os poetas são pessoas da pior espécie: cegos, obstinados no seu objectivo que é o amor, frios e calculistas se isso for necessário para se sentirem amados. Se a sua busca se revela infrutífera, esquecem o seu passado e deixam para trás tudo e todos que um dia o fizerem sentir-se menos desejado. Não sentem remorsos por isso. Essa é talvez a única coisa que não sentem: culpa pelo desejo de se sentirem amados. Ou simplesmente a necessidade de amor seja tão grande e tão transcendente que se sobrepõe à eventual culpa que poderiam carregar consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, os poetas são pessoas da pior espécie. Não perdem tempo. Tão rapidamente quanto se sentiram amados se sentem despeitados e partem sem pensar duas vezes. São impulsivos e por isso muitas vezes magoam com as suas atitudes irreflectidas. São invejosos porque procuram o amor para si e partilham-no muitas vezes com o papel e nem sempre com as outras pessoas porque receiam a sua ingratidão. São egoístas porque anseiam sentir todo o prazer de uma só vez. São orgulhosos porque não toleram a incompreensão da sua urgente necessidade de amor. São pouco afectuosos porque se sentem mais à vontade a expressar os seus pensamentos num qualquer pedaço de papel do que a qualquer outro ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, os poetas são pessoas da pior espécie mas não o fazem por mal. Sim, os poetas são pessoas da pior espécie porque se sentem sós e a sua poesia é o seu grito mudo, o seu apelo revoltado por um pouco de afecto. Sim, aos olhos dos outros, os poetas são pessoas da pior espécie, mas no fundo os poetas são apenas seres que caminham sozinhos neste mundo, lutando por um pouco de amor e um espaço para a sua arte. E por muito más pessoas que os poetas possam parecer, nunca esqueçam que os poetas não passam de incompreendidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-9202157820271555018?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/9202157820271555018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=9202157820271555018' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/9202157820271555018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/9202157820271555018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/01/os-incompreendidos_9020.html' title='Os incompreendidos'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8970591787227562664.post-2047005622465613145</id><published>2008-01-08T13:14:00.000-08:00</published><updated>2008-01-08T13:20:40.024-08:00</updated><title type='text'>O início</title><content type='html'>Este é o início de um espaço que, prometo solenemente, vou tentar actualizar frequentemente com textos da minha autoria. Por agora, o tempo não abunda, e por isso fica apenas este post sobre o que deverá ser este blog no futuro.... Palavras do mar, do sol e do vento acima de tudo, mas palavras também sobre tudo o resto que me possa ocorrer. Este é um espaço directo aos meus pensamentos mas não esperem ver aqui os meus segredos ;) Afinal, o poeta é um fingidor, já lá dizia Pessoa e eu não fujo à regra. Sou presunçosa quando afirmo que sou poeta? Talvez... Mas ao toque da paixão todos se tornam poetas e essa, a paixão, pela vida, pelo mundo, anda sempre por perto e, consequentemente, a escrita... E sempre que ela andar por perto, andará por aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8970591787227562664-2047005622465613145?l=palavrasdomardosoldovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/feeds/2047005622465613145/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8970591787227562664&amp;postID=2047005622465613145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/2047005622465613145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8970591787227562664/posts/default/2047005622465613145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomardosoldovento.blogspot.com/2008/01/o-incio.html' title='O início'/><author><name>CatarinaD</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06852100347944316224</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
